OPHIUSSA
O território que hoje
conhecemos como sendo português, chamava-se, em tempos idos, de Ophiussa (Ofiúsa)!
Pois é...os antigos gregos deram
o nome de Ophiussa (Terra das Serpentes) ao território que hoje conhecemos como
sendo o de Portugal e Galiza.
Pensa-se que os Ofis (habitantes destes territórios) viveram
nas terras montanhosas do norte de Portugal e da Galiza, mas também há fontes arqueológicas
e não só, que os colocam na foz dos rios Douro e Cávado, costa sul do Tejo e
até do Sado.
Os Ofis veneravam as serpentes,
daí esta ter sido a Terra das Serpentes.
Este ícone bem arcaico que
aparece insistentemente e recorrentemente em inúmeros momentos da história de
Portugal, a ponto de ser ele próprio, um símbolo representativo do próprio país
a das suas instituições mais importantes, na forma de serpente alada ou de
dragão.
Portanto, a serpente
pré-histórica faz parte de um mito muito primitivo que nos induz no seio do
culto dos mortos, mas também do culto da fertilidade e da regeneração cíclica
da vida.
O homem pré-histórico
acreditava, através da sua própria experiência, no renascimento constante e cíclico
da natureza, por isso é que, para ele, a serpente estava associada aos
conceitos de fertilidade, renascimento e regeneração, ou não largasse ela a sua
velha pele, para dar lugar a uma nova.
Vejam, o próprio corpo ondulado
da serpente lembra os movimentos dos rios e dos mares, cuja presença é
dominante na paisagem do nosso território e lembra as águas fertilizadoras das
chuvas, o que nos leva a dizer que a serpente e a água podem ter sido
simbolizadas da mesma maneira, dando significado à vida e à fecundidade.
Mas não só...Se olharem
atentamente para a estátua de D. José I, que se encontra no Terreiro do Paço,
em Lisboa, o cavalo assenta as patas na Terra de Ofiúsa, um chão inundado de
serpentes orgulhosamente soerguidas em seu redor.
O Porto ainda hoje é conhecido
por ser a cidade do Dragão e garanto-vos que nada tem a ver com o estádio de
futebol, que antigamente até se designava por, Estádio das Antas.
Na realidade, serpente e dragão
podem considerar-se sinónimos. O dragão de muitas culturas e civilizações surge
de mãos dadas com a serpente e com ela comunga dos mesmos significados.
A serpente é um animal detentor
de sapiência e poder de incessante regeneração e por conseguinte, de
imortalidade.
Como dizia o filósofo
Pinharanda Gomes, "a serpente ainda é o sinal remoto que nos introduz numa
das linhas da geneologia a divinis do povo lusitano e dos seus
valores religiosos".
No território português, o
homem do Paleolítico Superior praticava o culto aos mortos, o culto da
fertilidade, o totemismo e o xamanismo.
Os celtas deram continuidade a
estas práticas e rituais e acrescentaram outras, mas de facto, é maravilhoso
ver como o paganismo foi tão enraizado na cultura do nosso povo e do nosso
território, mesmo após a introdução do Cristianismo e da implementação da Igreja
Católica.
Ora acompanhem-me...já vos
falei na imagem da padroeira e rainha de Portugal, Nossa Senhora da Conceição,
que para além de uma cobra, tem uma lua crescente a seus pés. A nível
religioso, posso-vos dar outros exemplos, como a escadaria da Sé do Porto, ladeada
por grandes serpentes; o gradeamento na Sé de Lamego, com dragões; também, com
dragões, o lampadário na nave da Igreja de S. Dinis, no Mosteiro de Odivelas; nos azulejos da Igreja das Mercês, em Lisboa, uma serpente é retratada com um
livro à cabeça, frente à Jerusalém Celeste; num dos claustros do Mosteiro da
Batalha existe um fresco, em que um dragão emerge de um cálice de um homem
espiritualizado...entre tantos e tantos outros exemplos que vos podia dar.
Mas não é só a nível religioso...em Portugal temos estátuas, brasões municipais, Selos de Armas, Selos Reais, Brasões da
GNR, da Aviação e do Instituto de Defesa Nacional, o último cetro da monarquia
portuguesa, feito para D. Maria II, fontes, torres, certificados de aforro,
etc., etc., etc.
O intuito deste post é
essencialmente de chamar a vossa atenção para a história deste território em
que vivemos, que vai muito para além da história que foi ensinada à grande
maioria dos portugueses.
Acho que é importante despertar
a consciência para algo que fez parte da história de Portugal e da cultura
portuguesa ancestral, de quem fomos e de quem somos, e do papel primordial que
os símbolos desempenharam e continuam a desempenhar, apesar de todas as
mudanças ocorridas, de lá para cá.
Tenho de enfatizar que, apesar
do mundo global em que vivemos e estamos inseridos, o povo português tem os
seus próprios signos, signos esses que fazem de nós um povo coeso, único e místico.
Para finalizar...sim, nós somos
herdeiros da Lusitânia, mas também somo herdeiros da Terra de Ofiúsa!





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