Avançar para o conteúdo principal

Desenvolvimento e transformação pessoal

Quando eu era miúda questionava-me muito sobre o que me rodeava e sobre o propósito de eu aqui estar. Eu tinha uma aptidão natural e inata para me ligar de forma energética a um plano superior. Isso originou uma grande curiosidade sobre o que existia em nosso redor, mas que não era materializável, o que me levou a querer explorar cada vez mais.

Desde que me lembro de ser gente, lembro-me das noites passadas acordada a chorar, da minha falta de alegria, da sensação de abandono, o sentimento de não pertença, solidão, extrema sensibilidade e emocionalmente inconstante, entre tantas outras coisas...como crises de ansiedade e estados depressivos!

Por isso é que o ponto de partida para o nosso desenvolvimento e transformação pessoal são as nossas histórias. 

Olhar para mim e para as minhas questões levou-me a querer fazer mais por mim. Nem a igreja me trazia a paz que eu procurava. No meu entender, no amor crístico não havia espaço para determinado tipo de afirmações e procedimentos. Eu queria compreender mais e melhor sobre campos energéticos, queria aprender de uma forma holística o porquê das coisas e foi aí que em 2005 comecei pelo Reiki (terapia energética). O Reiki foi só o início, porque quanto mais eu aprendia e sentia determinadas energias, mais vontade tinha de aprender e percecionar o fluxo da vida. Hoje, já em 2022 tenho inúmeras horas de formação nas mais diversas áreas de conhecimento.

Assumir todos os bocados da minha alma, inclusive todos aqueles bocados que me magoaram e dizer: "Esta é a minha história, aquilo que me constitui e que me fez chegar onde eu estou hoje, que fez de mim a Mulher que eu hoje sou."

A vida encaminha-nos para onde devemos ir, para passar pelas coisas que devemos passar. As coisas vêm ter connosco e muitas vezes fui chamada a fazer escolhas que foram tomadas por mera sobrevivência, porque era na altura a única coisa possível a fazer, porque não conseguia ver outra solução, não tinha clareza. Em todo o meu processo de vida, mesmo nos momentos mais dolorosos, eu senti que era divinamente guiada e amparada. Todos nós somos guiados por uma força maior que nos guia e quando mais nos deixamos guiar, mais a vida nos transforma. Viver é transformar-se. Quanto mais nos conectamos com a criança que nós fomos, com a adolescente que nós fomos, mais nos conectamos com a nossa essência, o que até é paradoxal, porque essa pessoa já não existe mais, foi-se transformando ao longo do tempo, mas não deixa de ter a mesma essência.

Nós transformamo-nos todos os dias. Mudamos o olhar com que olhamos para as coisas da vida, para as outras pessoas e até sobre nós mesmas. O sofrimento transforma-nos, mas o amor também, as restrições e a realidade...as terapias!

Quando nós queremos uma transformação especifica na nossa vida, sobre o local onde vivemos, com quem nós estamos a conviver, quais os hábitos que nós estamos a ter, é importante perceber que temos de nos guiar pelo sentido de presença das nossas próprias transformações, exige que estejamos atentas e ao leme do nosso barco. 


As pessoas querem ser pessoas melhores, mais conscientes e todas as áreas da vida podem ser melhoradas, onde temos dores, experiências traumáticas, mágoas de todas as naturezas. Esse caminho de autodesenvolvimento, traz-nos mais tolerância, empatia, mais compreensão e quanto mais nos conhecemos, mais tolerantes somos connosco e com os outros. Quanto mais eu caminho para mim, mais eu tomo consciência de que eu tenho limites, intolerâncias, dificuldades, que não sou assim tão perfeita, pelo contrário, eu sou luz e sombra. Inevitavelmente, eu começo a exigir menos das pessoas à minha volta, tornando-me mais humana. Olhar para a minha sombra, para a minha dimensão humana, humanizou-me.

Quanto mais uma pessoa procura a perfeição, mais ela vai procurar encontrar isso nos outros, assim como, quanto mais uma pessoa é exigente consigo mesma, mais vai ser exigente com os outros. Se for muito critica em relação a si mesma, então vai ser muito critica em relação às outras pessoas. Quando o ser humano se começa a conectar com a sua própria origem e começa a olhar melhor para si mesmo e para as suas emoções, com todas as suas frustrações e dores, é um ser humano que começa a ficar em paz consigo mesmo, começando também a trazer paz para os seus relacionamentos.

Estas transformações afetam diretamente a forma como eu estou no mundo, comigo e com os outros. Por isso invista em si, em amar melhor. Há uma necessidade humana de pertencimento e de reconhecimento. A ideia da perfeição está muito relacionada com a nossa imagem. Há pessoas que inclusive esperam ficar prontas para a felicidade, para quando os filhos acabarem a universidade ou porque esperam um dia ter mais dinheiro ou reconhecimento, metas que as pessoas colocam só para depois então começarem a ser felizes, realizar sonhos…mas esse depois pode nunca chegar, porque só existe o agora. Nós só somos capazes até um certo limite. A felicidade nada mais é do que termos momentos felizes, é conseguirmo-nos sentir satisfeitas, sentir que somos suficientes, conseguirmos estar em paz com aquilo que recebemos e com aquilo que nós temos a cada momento da vida.

Temos muita dificuldade em dizer "Sim" para a realidade tal qual como ela é, queremos que os nossos pais sejam diferentes daquilo que são, que os filhos sejam de determinada forma, que o trabalho seja bem remunerado e perto de casa, etc., etc...

As pessoas gastam muita energia e muito esforço em aceitar a realidade como ela é. Situações dolorosas e difíceis como doenças, perdas de pessoas que amamos, separação de alguém que amamos, dificuldade em lidar com os nossos filhos, levam a que as pessoas se recolham e isolem, outras ficam agressivas ou irritadas e revoltadas. Ajudar a ultrapassar essas coisas mais dolorosas da vida é o caminho de aceitar a realidade. Nós dimensionamos muito os nossos problemas.

Se não quiseres largar pesos, soltar coisas e pesos emocionais que já não te servem mais, vais cair muitas vezes nesta vida, se não quiseres ser testada nos teus limites, também está certo... Mas, viver é reinventar-se, cair e chorar, levantar-se e expor-se aos seus desequilíbrios. Só assim poderá haver cura e trabalho de alma. Viver é fluir...

Enquanto estivermos a viver uma vida como sobreviventes sem vermos as nossas necessidades atendidas é difícil estar disponível para nos escutarmos, escutarmos as necessidades das outras pessoas, curarmo-nos e quem sabe até, ajudar a curar outras pessoas.

A vida não traz o que nós queremos, mas sim aquilo que nós precisamos, para dar inicio a uma nova fase de transformação e de aumento de consciência. Queremos que a vida se dobre perante aquilo que é o nosso desejo, perante aquilo que o nosso ego nos leva a desejar, a fazer, a dizer, condicionado pelas aprendizagens sociais, pelas crenças e padrões antigos com que fomos "formatados" e também pelo que trazemos da nossa ancestralidade, para que essencialmente, nos possamos integrar, sentir que fazemos parte de um grupo ou grupos de pessoas, para nos sentirmos aceites!

É preciso que todas as mulheres partam do ponto de partida de quem elas são, a partir das suas histórias de vida. O que elas vivem são as personagens da sua vida, da criança que foram, das pessoas que cuidaram delas, que as amaram...é quem nós somos e é isso que nos empodera. 

Quando aceitamos a realidade como ela é a vida transforma-nos.

As pessoas que nos compreendem e escutam, são pessoas que olharam para si mesmas.

Podemos até não ter clareza sobre os nossos movimentos de alma, não termos clareza sobre o que é que existe de mais profundo que está na génese dos nossos movimentos, mas se procurarmos voltar a casa, à nossa essência e perceber o que é que a nossa alma precisa, quer através de um trabalho individual, quer através de ajuda mais direcionada, que procurará apoiar-te e ajudar-te a reconstruires o teu caminho, com outra profundidade e clareza de espírito, a tua alma libertar-se-á. O objetivo será sempre aumentar os nossos níveis de consciência, ao libertarmo-nos, curamos as nossas dores e mágoas da nossa alma ferida e sem sentimento de pertença.

Ao longo destes 17 anos de formação em terapias energéticas, Tarot, Astrologia, O feminino Sagrado e Desconhecido, entre tantas outras, levou-me a um outro nível de autoconhecimento e de libertação, que nunca julguei ser possível!

Saber as reais necessidades dos outros, empatia e capacidade de escuta ativa, conexão de alma com alma, coração aberto de não julgamento, ajudar as pessoas em relação às suas questões emocionais e relacionamentos a partir de um lugar de humildade, ver a pessoa como ela é, e ao mesmo tempo aplicar todo o meu saber e a minha capacidade técnica é definitivamente trabalhar com alma.

No trilho do meu autoconhecimento e na tentativa de, a cada dia que nasce, eu tentar ser uma melhor versão de mim mesma, descobri o meu propósito de vida e de alma - Ajudar outras Mulheres a libertarem-se das suas amarras e a aumentar o seu nível de consciência, para que possam resgatar o seu poder pessoal.


O que é que te transformou hoje?

 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Imbolc - Que as chamas da inspiração e do novo crescimento sejam acesas no seu Ser

Por vezes é difícil pensar na primavera quando parece que estamos no auge do inverno. Mas se olharmos para o chão, podemos ver os primeiros rebentos verdes a começar a crescer em direção ao Sol. O Imbolc pode ser celebrado no dia 1 ou 2 de fevereiro, ou mais naturalmente quando os flocos de neve cobrem o chão (para quem está num sitio onde pode nevar). O Imbolc está conectado aos elementos de fogo e água, por isso esta é uma altura importante para trabalharmos o nosso fogo interior, de estabelecermos novos compromissos com o nosso propósito e criarmos equilíbrio entre as nossas paixões e emoções. Esta é também uma altura para limpar e purificar antes do verdadeiro boost de energia que surgirá com o Equinócio da Primavera. O Imbolc marca o ponto médio entre o Solstício de Inverno e o Equinócio da Primavera e ocorre seis semanas após o Ritual de Yule. Para os nossos ancestrais esta era uma fase de comemoração. Comemorava-se o facto dos dias estarem a crescer, das noites estarem mais pequ...

A meia-idade não é uma crise - É um despertar!

Em vez de lutar contra uma crise de meia-idade, que tal escolheres entrar num despertar de meia-idade? As práticas espirituais podem dar-te estabilidade. Esta fase pode indicar um novo ritual sagrado de passagem, em que inevitavelmente nos surgem questões, como: Quem sou eu? Como posso ajudar? Para onde é que me está a chamar a vida? Estas questões convidam-nos a uma verdade mais profunda, que está à nossa espera o tempo todo. São a porta de entrada para nos lembrarmos de quem somos na nossa essência, ajudando-nos a alinhar com o pulsar da Terra e a reconectar-nos com o divino que pulsa através de todas as coisas. Nesta fase começamos a resgatar a essência de quem nos estamos a tornar, em vez de estarmos preocupadas com aquilo que fomos. Uma experiência sagrada na meia-idade Quando completei 50 anos, eu senti que estava a assinalar um marco. Confesso que desde miúda tinha uma sensação que ia morrer cedo e chegar aos 50 foi algo inesperado! Nesse dia, lembro-me que o meu maior sentim...

O Equinócio de Outono - MABON 🍇🍂🌽🍁

  Celebração da Gratidão Tempo da colheita dos frutos, a preparação para o Inverno e a tristeza pelo fim do Verão! Este é o segundo festival da colheita, o primeiro foi Lammas (1 agosto). Este é o tempo de agradecermos por tudo o que colhemos ao longo do ano, ainda com maior sentido de partilha, solidariedade e Ação de Graças do que na primeira colheita. Manifestemos, pois, gratidão a tudo e a todos, à Mãe Terra, Gaia, que acolhe a nossa existência. No Hemisfério Norte, o equinócio de outono ocorre em 22 de setembro de 2024, às 12:44 GMT, no mesmo dia em que o Sol entra no signo de Balança. Este evento sinaliza a mudança do verão para o outono. Após o equinócio, as temperaturas caem e as noites crescem. Durante o equinócio, a duração da luz do dia e da noite é quase a mesma. Na Roda do Ano Celta, Mabon marca o fim da vegetação e a diminuição da luz solar. Em outras culturas comemoravam-se, nesta data, as mortes de Deuses solares como Adonis, Attis, Osíris e Tammuz, o final da col...