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💗 Cristo não era cristão 💗


Kenosis no Anthropos


Cristo foi controverso e revolucionário nas suas palavras e ações em pleno século I.

Ele queria acabar com as estruturas de poder injustas do Império Romano, fazendo do primeiro o último e do último o primeiro, mas acima de tudo queria que a humanidade percebesse que o primeiro é o último e o último o primeiro.

Cristo quis que percebêssemos que cada um de nós não tem o direito de se colocar acima ou abaixo do outro.

Cristo queria libertar-nos da ilusão de que os símbolos externos de poder, riqueza e autoridade, pudessem de alguma forma nos aproximar do poder supremo do amor que existe dentro de todos nós – de forma igual.



Cristo iluminou-nos o caminho ao ensinar-nos que todos nós existimos igualmente no amor.

É muito importante que nos lembremos que Cristo não era cristão. O cristianismo surgiu centenas de anos depois de Cristo. Mais do que formar uma religião organizada, Cristo, na sua breve passagem por este plano terreno, inspirou uma forma de prática espiritual chamada kenosis, que em grego significa “amor abnegado”.

Aquele Cristo jamais aceitaria todas as atrocidades que foram feitas ao longo dos séculos e que ainda se fazem, em seu nome.

Aquele Jesus Cristo, não os outros criados pela conveniência e imaginação de muitos, foi o homem que nunca foi cristão, mas que propôs uma humanidade nova, simbolizando o céu e a terra, pela sua natureza dual, divina e humana.

"Eu Sou o Caminho, a Verdade e Vida"

Muitas igrejas e catedrais foram criadas em seu nome, mas nenhuma dela honra o seu legado, a sua palavra: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".

Cada um de nós é a catedral...é a igreja onde ele habita...se o procurares dentro de ti, encontrá-lo-ás! 

Esta prática de amor abnegado é a razão pela qual a misericórdia é tão curadora – porque o perdão muda tudo. Quando amamos alguém deixando de lado as nossas ideias egóicas sobre essa pessoa, nós libertamo-nos e libertamo-la a ela.

Ressurreição ou renascimento, aqui nesta prática, é perpétuo. Não está reservado para o momento da nossa morte. É praticado agora, neste corpo. No meu entender a kenosis está no centro da cura. É por isso que a misericórdia significou tanto para Cristo. Não a religião, mas sim a misericórdia.

No evangelho de Maria Madalena, é relatado que Pedro, um dos discípulos de Cristo, diz-lhe: “Tem-nos explicado todos os tópicos; diga-nos outra coisa. Qual é o pecado do mundo?” O Salvador respondeu: “Não existe isso, do “pecado”. (Maria 3:1-3)

Cristo disse-lhe que nós não somos inatamente pecadores. O pecado não existe como uma verdade suprema. Pecado é quando confundimos nosso verdadeiro Eu com o ego. Quando somos incapazes de sentir a presença da alma, no meio de um dos poderes do ego e agimos a partir desse estado de esquecimento.

O evangelho de Maria Madalena relata que Cristo era Anthropos, o “verdadeiro ser humano”. E é isso que devemos nos tornar também, revelou Cristo a Maria Madalena. O verdadeiro ser humano uniu o ego ao verdadeiro Eu, a Alma, para que, mesmo no meio das tempestades que se abatem na nossa vida, tenhamos sempre a capacidade de voltar ao amor sem limites que também somos.

E como é que fazemos isso? Temos de ter misericórdia de nós mesmos e uns dos outros, deixando o amor chegar onde nunca esteve antes.

O objetivo dessa prática espiritual discretamente poderosa é ser capaz de reconhecer quando estamos num lugar de julgamento a nós mesmos ou às outra pessoas, para ver também que não somos apenas esse ego ferido, sozinho. Não somos apenas esse pequeno eu que está preso a tanta dor pessoal. Também somos a Alma do Amor pronta a expandir-se para manter, curar e exercer misericórdia.

O julgamento em todas as suas formas é a antítese de Cristo. Deus é Amor.

Se dentro de nós o nosso amor não alcança determinadas pessoas, então misericórdia, kenosis, amor abnegado é o que precisamos praticar.

O que assemelha um Cristão a Cristo, não são um conjunto de ideias dogmáticas, ou de qualquer outra coisa encontrada nas escrituras cristãs, mas sim a presença da misericórdia que opera em nossas vidas de maneira real e determinada.

Porque Cristo não era cristão. Cristo foi a personificação de um amor que nunca acaba. E ser semelhante a Cristo significa fazer o trabalho, diario e não apenas aos domingos, para continuar deixar o amor chegar onde nunca esteve antes. 

Com Amor
Sílvia Bento

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