Já se questionaram porque é que algumas emoções e desafios parecem ser universais entre nós? E já se questionaram porque é que nós mulheres temos a tendência de compartilharmos as nossas dores e experiências?
Na Era Antiga (desde o início do neolítico 7000 a.c. até 500 d.c) a mulher era considerada como a criadora suprema do universo. Havia o culto da Grande-Mãe e as mulheres eram vistas como deusas da fertilidade e da maternidade. Mas, ao longo dos anos o nosso papel foi mudando.
Vocês sabem que durante um período de 300 anos, entre 3 a 5 milhões de Mulheres foram torturadas e mortas pela “Santa Inquisição”, uma instituição fundada pela igreja católica romana para suprimir a heresia?
Esta situação encontra-se seguramente ao nível do Holocausto, representando um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Gostar de animais, andar sozinha nos campos e florestas, ou colher plantas medicinais, era o bastante para ser rotulada de bruxa, torturada e queimada na fogueira.
O sagrado feminino foi declarado demoníaco e houve uma dimensão que desapareceu em grande medida da experiência humana. A condição da mulher foi reduzida a trazer filhos ao mundo e a ser propriedade do Homem.
É incrível ver como para muitas civilizações antigas pré-cristãs, como as dos sumérios, dos egípcios e dos celtas, o princípio feminino não era temido, mas sim considerado sagrado. A mulher era vista como um portal entre o mundo da matéria e o divino...
Hoje em dia, especialmente as mulheres de 40+ encontram-se numa situação em que a supressão do feminino já foi interiorizada e é sentida como uma dor emocional acumulada ao longo de milénios devido a partos, violações, escravatura, tortura e morte violenta.
É muito importante aprender quem somos de verdade, depois de milhares de anos de patriarcado que alteraram a nossa essência primordial, e que nos levou à submissão, “inconscientemente consentida”.
E apesar de ser verdade que os homens e o patriarcado tiveram uma grande parte de responsabilidade neste processo, chegou a hora de sairmos do papel de “princesinhas frágeis e indefesas”, daquele papel em que achamos que precisamos de ter um homem ao nosso lado, para sermos vistas e sentidas!
Também temos por oposição, aquelas mulheres que, por instinto de sobrevivência, adotaram um papel controlador, vestiram as calças e meteram uma capa de super mulheres...tudo isso, para se sentirem respeitadas e valorizadas, para sentirem que também tinham um papel importante na sociedade!
Vejam, na nossa infância, nós ainda estávamos dependentes dos adultos (principalmente da mãe) para sobreviver, mas em adultas, somos livres de agir como seres responsáveis pela nossa cura e evolução, existindo a possibilidade de nos libertarmos desse comportamento de vítima, ou, por oposição, desse padrão energético masculino a que nos agarrámos.
Para isso, precisamos, primeiramente, de tomar consciência de quem somos, desenvolvendo muita autoestima e confiança em nós.
Precisamos de nos encontrar como mulheres e descobrir quem se esconde dentro de nós, qual é a nossa essência.
A grande maioria de nós tem uma vida esgotante, drenante até, na qual há pouco espaço para “cuidarmos de nós” e isso acaba por nos deixar totalmente afastadas da nossa essência fundamental: nós mesmas!
Depois, a herança psicológica familiar e coletiva da Mulher também pode exercer um peso significativo na nossa vida. Ela afeta a nossa identidade, relacionamentos, saúde mental e bem-estar emocional. Ao compreendermos e termos consciência destes aspectos, podemos iniciar um processo de cura e transformação, encontrando maior autonomia, autenticidade e plenitude na nossa vida.
As nossas aprendizagens estão ligadas à forma como as pessoas da nossa família se relacionavam, à forma como aprendemos e repetimos padrões emocionais familiares.
E é por isso que o nosso comportamento tem raízes transgeracionais.
Nas famílias existem destinos que se repetem, porque todos nós pertencemos a um sistema familiar. O que acontece na nossa vida é parte do destino dos nossos pais, avós, bisavós e por ai vai…
E a nossa identidade é proveniente de crenças ideológicas que chegaram até nós, não só pela nossa família, mas também pela cultura em que crescemos, pela religião, pela educação que tivemos, pelos amigos e por outras fontes ao longo do tempo e do nosso desenvolvimento.
E quando estamos presas às nossas crenças, a nossa realidade torna-se rígida, estagnada e opressiva. Ficamos amarradas aos apegos porque perdemos a capacidade de reconhecer que temos a opção de sermos livres. E ser livre...é percorrer o caminho da nossa própria evolução, como seres divinamente humanos!
Com autoconfiança, podemos simplesmente questionar as nossas crenças e as histórias que criamos para descrever a nossa forma de ser e estar.
Por isso, pergunta a ti própria:
Porque é que na grande maioria das vezes escolhemos acreditar que …
- Os pobres nunca saem da cepa torta!!!
- Eu tenho de tratar dos assuntos de todos os que me rodeiam!!!
- Eu nunca serei feliz!!!
- Tudo de mal me acontece!!!
- Tenho de estar sempre disponivel para os outros!!!
De que forma elas te afetam?
Nós mulheres sofremos muita pressão para ser tudo para todos e a velha sabedoria, aquela sabedoria ancestral que habita em nós, há muito que não se manifesta.
Muitas das mulheres que conheço sentem-se cansadas, frágeis, deprimidas, confusas, assustadas, sem inspiração, sem ânimo, instáveis, sem criatividade, inseguras, bloqueadas, com parceiros, empregos ou amizades que lhes esgotam a energia, inconstantes…enfim…mulheres que se preocupam demasiado com aquilo que os outros pensam, que se afastaram da fonte de toda a criação e até do seu poder criativo, que se isolam e se deixam envolver demasiadamente pelas tarefas domésticas ou se dedicam ferozmente ao trabalho…
A Mulher precisa cada vez mais de se aproximar da sua natureza instintiva, sem com isso querer dizer que tenha de mudar radicalmente a sua vida. No entanto, ao aproximar-se da sua natureza instintiva, ela começa a delimitar território, a encontrar os seus grupos, a sentir o seu corpo com segurança e orgulho, independentemente dos dons e das limitações desse corpo, falar e agir por conta própria, o estar consciente, o adaptar-se aos ciclos, aumentar o mais possível o seu nível de consciência e usar a intuição inata.
E fazer parte de uma tribo ou comunidade pode ser extremamente importante por várias razões, que vão desde o suporte emocional até ao crescimento pessoal.
Pertencer a uma comunidade devolve-nos sentimento de pertença, potencia cura coletiva, projetos comuns, inspiração contínua, comunicação e empatia, mentoria e apoio, troca de conhecimento e experiências.
Convido-vos a integrar uma 🙏💓

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