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É preciso morrer em vida, para um novo renascer!

 




Como já tenho falado em artigos de blog anteriores, nesta altura do ano, e cumprindo com as antigas tradições de culto à vida e à Grande Mãe, celebram-se Deusas como Cailleach, Ceridween, Ereshkigal, Hécate, Inanna, Ísis, Kali, as Moiras, Morrigan, Perséfone, entre tantas outras.

Neste artigo em particular quero falar-vos sobre Kali. Porquê Kali? Bom...talvez porque ela desafia-me a olhar para o que de mais sombrio existe em mim...vícios, limitações, medos, inseguranças, caências afetivas, feridas antigas.

Mas por traz do lado simbólico e espiritual existe a lenda e a lenda diz que Kali nasceu da testa da deusa Durga. Quando Durga estava numa batalha contra um demónio, ela invocou a deusa Kali com o propósito de ela lhe ajudar na luta. Kali envolveu-se tanto na batalha, que começou a destruir tudo que estava ao seu alcance. Shiva lançou-se aos seus pés numa tentativa de pará-la e trazê-la de volta à realidade. Surpreendentemente, a estratégia deu certo. A deusa ficou tão assustada com a visão, que mostrou a língua em espanto e parou o ataque.

Esta Deusa Hindu de aspeto temível, traz todas as coisas, à vida ou à morte. Kali é a "Deusa da Morte" e "Deusa do Karma" e ela tem o poder de enfrentar e transmutar a sombra/o mal que existe dentro de nós mesmas. Ela corta as ilusões e assegura-se que vemos a realidade do que a nossa alma veio manifestar.

Não, não é fácil arranjarmos forças para as perdas que vamos tendo no caminho, enfrentar medos e mudanças com um sorriso quando há situações que nos aterrorizam...quando tudo parece caótico, como arranjar forma para atravessar um lago pantanoso, ou um campo minado, ou até um deserto seco e tórrido?

Sentimo-nos perdidas, sozinhas, abandonadas, desamparadas até e negamos tantas e tantas vezes, a dor do que sentimos e vivemos e até o medo de apostarmos em nós e na nossa verdade, na verdade de quem realmente somos. É preciso morrer em vida, para um novo renascer. É preciso que a noite se ponha, para que um novo amanhecer surja.

"Eu liberto tudo o que não me serve mais. É tempo para ser a Verdade de quem eu Sou."

Ela ensina-nos que é necessário destruirmos o passado para renascermos ciclicamente para a pessoa que nascemos para Ser.

Kali não quer que percamos mais tempo a ser algo que não somos. É necessário largarmos aquelas velhas crenças de que não somos merecedoras, ou dignas de algo melhor.

A Fonte de toda a criação fez-nos para sermos felizes e nós não estamos nesta existência para agradar minguém, nem deixar ninguém orgulhoso. Nós estamos cá para ouvir a chamada única da nossa alma, para estarmos em alinhamento com o que viemos aqui fazer.

Todos os dias é-nos dada uma oportunidade para começarmos de novo, para fazermos novas escolhas e desta vez, a partir de um lugar de extrema sabedoria e força: a nossa vulnerabilidade.

E então? O que precisas de ver desaparecer na tua vida, neste momento e que já não te acrescenta, já não te serve mais?

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