Uma mulher que reprime as energias da Anciã reprime também a força e a sabedoria interior que ela detém!
Na
Tradição da Deusa, a noite de Samhain é dedicada às deusas anciãs como
Cailleach, Ceridween, Sheela N Gig, Hécate. Elas representam a face anciã da Grande Mãe,
um dos arquétipos mais comuns, presente em muitas culturas.
Com frequência, a imagem da
Grande Mãe era representada por três deusas ou personagens femininas separadas,
que representavam o ciclo da vida da mulher: a Donzela, a Mãe e a Anciã (ou
mulher velha). A Anciã era representada como a detentora de sabedoria, o portal
para a morte e o caminho para os poderes do mundo interior.
O
termo “Anciã” era usado para descrever a mulher cujo ciclo menstrual já havia
terminado. Acreditava-se que, nessa fase da vida, a mulher absorvia o seu
sangue menstrual a cada 28 dias, o que revelaria e liberaria os seus poderes de
criatividade, magia e visão interior. Em muitas sociedades, a mulher na fase
pós-menstrual era vista como uma “mulher sábia” ou feiticeira, cuja capacidade
de profetizar e comungar com os espíritos era muito respeitada.
Hoje
em dia, a imagem moderna da anciã perdeu o seu poder e as mulheres mais velhas já
não são respeitadas pela sua sabedoria e magia intrínsecas. Ela representava a
Lua escura, fecunda das energias de transformação, da gestação e da escuridão
interior. Na perspetiva moderna não são reconhecidos ou dada qualquer
importância, aos ciclos menstruais e também já não são respeitados os ritmos
internos e as energias vividas pelas mulheres na fase menstrual. Esses ritmos
estavam tão intrinsecamente ligados ao entendimento próprio e basilar que as
mulheres tinham da Lua, da Terra e da Deusa da Vida, que a visão superficial
da modernidade – relacionada sobretudo com os tabus culturais – teria
sido impensável para as mulheres do passado.
A vida
da maioria das mulheres é tão agitada que nem nos permitimos menstruar de forma
natural. O corpo perde sangue, mas os tampões reduzem a atenção que lhes é dada.
As mulheres são “obrigadas” a cumprirem com as suas obrigações familiares,
profissionais e sociais, como se estivessem numa fase não menstrual do ciclo.
Muitas vezes, é possível que a mulher se pergunte por que se sente tão cansada e
com dificuldades em trabalhar, para só então se lembrar que está no seu ciclo
menstrual. A vida cotidiana não faz uma pausa para as mulheres menstruadas e,
na sociedade cotidiana, mais do que nunca, há cada vez menos tempo para que as
mulheres reduzam a intensidade e as exigências do dia-a-dia. Há sempre
expectativas e necessidade de cuidar da casa e da família, trabalhar para receber
ordenado e construir ou manter uma carreira ou um negócio. É difícil para as
mulheres aceitarem o lado menstrual da sua natureza se não lhes é permitido
parar e escutá-lo. Não há tempo para isso!
Mas, se
puderes, tenta passar algum tempo longe das exigências do trabalho e das
obrigações familiares e faz apenas o que sentes ser necessário, ainda que seja
apenas por uma hora, durante a noite. Explica à tua família que nesta fase do ciclo precisas de um tempo quieta, sozinha se possível, desacelerar e descansar. A fase da Anciã também traz a necessidade de quietude
e silêncio. Por isso, tenta não assumir muitas tarefas neste período e organiza
o teu dia de acordo com o sentir do teu corpo. Ouve o teu corpo e se precisares
manter o ritmo cotidiano durante o dia, será ainda mais importante que se te
dês um tempo para descansares durante a noite.
Os arquétipos da Donzela, da
Mãe, da Feiticeira e da Anciã, estão associados ao ciclo das estações, ao ciclo
lunar e ao ciclo menstrual das mulheres.
Estes arquétipos, o da Donzela,
da Mãe, da Feiticeira e a Anciã, oferecem o entendimento da verdadeira natureza da mulher e evidenciam o quanto as mulheres precisam de ganhar consciência
dessa natureza. A Lua escura (Lua Nova) e a sombria Anciã representam a fase da
menstruação, mas também a da menopausa. Caso ainda estejas em idade de menstruar,
mas já não tenhas útero, também és representada pela Lua escura e pela Anciã.
A Anciã
reflete o refreamento das energias físicas do mundo exterior e a introversão
para o mundo interior do espírito. Na fase menstrual da Anciã, as energias
criativas interiores são geradas na mente, para produzir nova vida e novas
ideias.
A fase da Anciã equilibra a
calma do mundo interior com a gestação de um novo ciclo. À medida que a fase da
Anciã se aproxima, é natural que a mulher sinta que a concentração diminui, e
ela pode ficar cada vez mais intolerante com o mundo cotidiano. Por outro lado,
a sua capacidade de sonhar aumenta, a sua intuição é fortalecida e os
seus insights e inspiração podem ser mais vibrantes e
compulsivos. As energias da Anciã são vividas na menstruação, como uma energia
acolhedora e intuitiva, que não sente necessidade de se expressar
exteriormente, exceto de maneira ocasional, quando emergem estados ou visões de
graça.
A mulher interage mais com os
seus sonhos e sente-se parte da natureza. Esta é uma fase de introspeção, em
que a mulher se afasta do mundo cotidiano, para dormir e sonhar, expressar a
magia com gentileza e diminuir o ritmo da vida.
É um momento para procurar respostas para problemas e de aprender a aceitar o passado e a incerteza do futuro. A mulher fica aberta aos antigos instintos e às energias primordiais elevando assim a sua espiritualidade. A altura em que a mulher sangra é um momento em que as barreiras entre a mente consciente e a subconsciente são menores, permitindo-lhe assim, abrir a perceção do seu corpo e interagir com a sua consciência. Ainda que se trate de uma fase de retiro, ela não é negativa, aliás … há um sentimento de aceitação e de pertencimento ao todo. Este é o ponto crucial entre o fim de um ciclo e o início de um novo. Com a menstruação, o processo de desaceleração da fase da Feiticeira se completa. O corpo tem menos energia física e pode ficar mais pesado, os seios e o ventre inchados. Além disso, normalmente precisamos de dormir mais. As coisas mundanas ficam menos importantes e torna-se entediante ou mesmo impossível concentrar-se ou dar atenção aos pequenos detalhes e às necessidades cotidianas. A necessidade de retiro é, na verdade, a necessidade que a mulher tem de se conscientizar do seu universo interior. Socializar, e mesmo falar, pode tornar-se desnecessário. Podes notar que os processos mentais também estão mais lentos e podem ser interrompidos por completo, num estado meditativo ou de devaneio, como num transe. No entanto, as emoções vêm à tona com facilidade, e a extrema sensibilidade empática pode tornar o mundo exterior algo difícil de aguentar.
Uma
mulher que reprime as energias da Anciã reprime também a força e a sabedoria
interior que ela detém, inibindo a sua capacidade de crescer através da
mudança. A fase da Feiticeira é um bom momento para aprender sobre adivinhação
e praticá-la na vida cotidiana, enquanto a fase da Anciã é o melhor momento
para usá-la, com o objetivo de descobrir o seu propósito mais profundo na vida
e o caminho a ser percorrido durante o mês que vem pela frente. A fase da Anciã
é o momento de luto pela vida que passou, de aceitar mentalmente as mudanças e
refletir sobre o futuro.

Comentários
Enviar um comentário